03 Abril, 2011

Björk - Hyperballad

No post anterior, Paulina Glossy acordou Cindi Loka de um sono profundo de cinco dias e as travinhas conversaram muito sobre a gravidez de Maggy e a possível paternidade de Cindi. No final das contas, Cindi ainda precisava dormir mais um pouco para fugir de seus problemas, mas será que as palavras diretas de Paulina iriam permitir essa fuga tão facilmente?

Acordei sentindo um odor diferente. Por alguns segundos, achei estranho aquele cheiro forte de mato misturado com bosta de vaca, mas logo me lembrei que isso sempre é um presságio para muita merda acontecer. Abrio os olhos e tive certeza: lá vinha muita bucha. Eu tava no meio de um campo florido, assim como todo início de um belíssimo pesadelo bizarro. Olhei ao redor à procura de algum animal falante e aterrorizante pra adiantar logo as coisas. Quanto mais cedo começa a merda, mais cedo a merda termina. Olhei, olhei e não encontrei nada. Resolvi dar uma volta e esperar a primeira bizarrice acontecer ou o primeiro animal me apavorar. Passei por algumas vaquinhas pastando, todas ignorando minha existência. Depois passei por umas ovelhas que estavam tão preocupadas em serem guiadas por um cão pastor que nem repararam na minha presença colorida. Quando eu já estava começando a pensar que aquilo não se tratava de um pesadelo, me deparei com um cisne no lago. A ave me encarava com um sorrisinho de Mona Lisa super incógnito. Comecei a desconfiar que aquele cisne seria o pivô de toda merda assim que seu bico começou a dublar Hyperballad da Björk, e passei a ter certeza absoluta quando ele começou a rodar enlouquecidamente sobre a água, cada vez mais rápido, até tomar a forma da própria Björk trajando o clássico vestidinho horroroso de cisne.

"_Bijórka??!"

Sua única resposta foi uma gargalhada. Em seguida, Björk pulou na minha frente numa velocidade impressionante e, antes que eu pudesse até mesmo ficar surpresa com o pulo sobre-humano, a doida agarrou o meu pescoço e me arremessou para dentro do lago com uma força que quase deixou a minha peruca pra trás. Uma loucura!

Apavorada, comecei a afundar pelas águas que se tornavam cada vez mais escuras. Quanto mais eu me debatia, mas eu me afundava. Minha vida começou a passar pela minha cabeça como um flashback gigante num piscar de olhos, até chegar em idades que seria impossível eu me lembrar de algo. A morte do meu avô quando eu tinha apenas quatro anos, a primeira vez que eu mexi num batom da minha mãe quando eu tinha três anos, meus primeiros passos, minha primeira comida sólida, meu primeiro dia em casa depois de quase ter morrido na UTI, a forma como eu apertava o dedo indicador da minha mãe na encubadora e até mesmo o meu parto prematuro.

De repente, comecei a me sentir confortável na água. Misteriosamente, eu não sentia falta do oxigênio. De alguma forma, eu tava respirando de novo. Todo esse aconchego não durou muito, e logo me senti sendo puxada para um canal estreito e toda a água havia desaparecido. Passei por um buraco apertado e fedorento e, quando eu me dei por conta, não estava mais no lago ou no campo. Olhei para trás e me deparei com um bucetão enorme, arreganhado, e a forma como estava arregassado denunciava que eu tinha acabado de sair dalí de dentro.

"_AI QUE NOOOJOOOOOO!!!!!"

Me levantei assustada e olhei para a cara da mulher que havia parido. O grito de horror foi seguido por outro grito, dessa vez dizendo o nome da...

"_MAGGY!!!!!!!!"

Eu não tava entendendo nada e nem fazia questão de entender. No momento, eu só queria sair correndo até encontrar a minha casa, a minha cama e então acordar dessa bizarrice toda. Infelizmente, isso ainda tava longe de acabar.

Correndo desesperadamente pelos corredores do hospital, encontrei Paulina parada em frente de uma parede de vidro, observando o que acontecia do outro lado.

"_Cindi!! Você tá atrasada! Vem cá, vem cá!! Tá quase!!
_Quase o quê, minha filha?? Eu tenho que voltar pra casa!
_Voltar pra casa??! Você tá louca, mulher?? Vem cá, vem ver o parto do filho da Maggy! O bebê tá quase nascendo!
_OI??! Mas a Maggy tá em outra sala!
_Ai, Cin, você cheirou calcinha usada antes de vir pra cá, é?? Deixa de falar merda e fica aqui do meu lado!"

Antes que eu pudesse continuar correndo, Paulina me agarrou pelo braço e me fez ficar plantada do seu lado, observando tudo o que acontecia por trás daquela parede de vidro. Realmente, era Maggy que estava lá arreganhando as pernas, suando, fazendo força, se descabelando e gritando. Os médicos estavam auxiliando o parto, mas eu mal conseguia olhar para eles. Eu queria ver logo a cara daquela criança.

"_É agora que a gente vai saber se esse filho é seu ou não, Cin! Olha lá, a cabeça tá saindo!
_Ai, minha Cher! - agarrei a mão da Paulina e comecei a apertar, de tanta aflição.
_Cuidado aí, minha filha!!
_Ai, desculpa, Pau.
_Ihh, pode relaxar, Cin. Aquele filho não é seu. Ele é neguinho!
_Glória, Cher!!
_Ué, que estranho... ele tem olhinhos orientais!
_Oi?!
_É! E não é só isso, ele também tem cabelinho loiro! Quantos pais essa criança tem??
_Não sabia que um bebê podia ser feito com mais de uma porra. Mas abapha, eu nunca fui boa em biologia. O que importa é que eu não tenho nada a ver com isso. Vamos embora, Pau.
_Er... Cindi, acho melhor a gente ficar mais um pouco.
_Oi?"

Quando voltei a olhar pela parede de vidro, vi um dos médicos pegarem o bebê pelos pés e dar um tapa na bundinha, para fazê-lo chorar. Pro meu espanto, o choro foi substituído por um sonoro...

"_AAAAIIIINNNN!!!! QUE GOSTOSOMMMM!!!!
_Xiiii...
_..."

Paulina olhava pra mim com cara de piedade. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto assim que a viadagem continuou. A criança agarrou o cordão umbilical com as mãozinhas e começou a jogar para trás das pernas, e só parou quando a enfermeira apareceu com uma tesoura para cortar o cordão fora.

"_AI QUE TUDOOOO!!!! JÁ VOU SAIR DAQUI OPERADA!!!!
_Cindi, você ainda tem dúvidas?
_Er... isso não quer dizer nada, Paulina!!
_TIRA ESSA FRALDA DE MIIIIIM!!!! EU NÃO QUERO FRALDA, EU QUERO EMPLASTRO SABIÁÁÁÁÁÁ!!!!
_Cindi, não adianta negar. O filho é teu. Essa pintosidade toda só pode ser herança sua.
_NÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOO!!!!!!!"

Saí correndo novamente pelo hospital. Não sei se era o desespero e o choque, mas o corredor parecia ter uns 500km de comprimento, não acabando nunca. Quando mais eu corria, mais eu chorava e ouvia os gritos daquela travequinha que havia acabado de nascer. O barulho era insuportável e ecoava cada vez mais nos corredores e nos meus ouvidos, como num filme de terror. Até os meus próprio gritos eram abafados pelos gritos da biluzinha.

"_NÃÃÃÃÃÕ!!!! EU NÃO POSSO SER O PAI!!!!! NÃÃÃÃOOO!!!! EU SOU PHEMININA DEMAIS PRA ISSO!!!!! AAAAAAAAAAAAAAAAAHHH!!!!!! AAAAAAAAAAHHHHH!!!!!!
_Cindi!!!
_NÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!!!!!! AAAAAAAAAAAAAAHHH!!!!!
_Cindi, acorda!!! - PAF!!!
_OI??!"

Senti um bofetada na cara e abri os olhos assustada. Eu estava no meu quarto, deitada na minha cama, toda encharcada de suor e com os cabelos desgrenhados. Me lembrei que aquilo não passava de um pesadelo e pude respirar aliviada. Parada do lado da minha cama estava Maggy, com as mãos na cintura e um olhar de quem não tava entendendo nada.

"_Como você grita quando tem pesadelo, travesti!
_Ai, Maggy, abapha.
_Abapho mesmo. Eu vim te acordar pra gente sair. Se arruma logo que eu já tô atrasada.
_Ai, que tudo!! Eu tava mesmo precisando sair um pouco pra esquecer os problemas. Pra onde nós vamos, gata?
_Pro consultório do meu médico. Tenho que fazer ultrassonografia.
_..."

De repente, tive a sensação que o pesadelo foi mais real do que deveria ser...



Björk
"Hyperballad"

Album Version
Radio Edit
Video Version
3AM Mix
Blodsky Quartet Version
Girls Blouse Mix
The Fluke Mix
Robin Hood Riding Through The Glen Mix
David Morales Classic Mix
David Morales Radio Edit
David Morales Boss Dub Mix
Tee's Freeze Mix
Tee's Radio Edit
Tom Apella Remix
Towa Tei Choice Mix
Disco Synch Mix
Subtle Abuse Mix
The Stomp Mix
Massive Attack Slow Jungle Mix
Over The Edge Mix
Over The Edge Mix Live
bônus da travinha:
Robyn - Hyperballad (Live at Polar Music Prize)

- click the pic for the link -


Hyperballad migrou para o blog novo, meus amores! Se não migrou ainda, vai migrar em pouquíssimos dias. Corre lá pro Travecas Musicais!

2 bilus tagarelaram:

Jean Michel Devotion disse...

Thanks you

varzo disse...

gata... a senhora araza... mil beijos... passando por aqui para dar um oi, afinal, a senhora merece muitos comentários